domingo, 13 de abril de 2008

CRENÇA:A BÍBLIA

A palavra Laboratório tem a seguinte origem: Labor = trabalho; Oratório = local de orações.

A crença num Deus racional, que criou o universo, ordenado pôr leis e plenamente suscetível de estudo pela ciência, foi para Alfred N. Whitehead, o postulado fundamental para o surgimento da ciência moderna.

O verdadeiro cristianismo bíblico é plenamente compatível com a ciência intelectualmente honesta e de mente aberta, que leva em conta Algo ou Alguém além deste universo físico, uma realidade independente do universo, porém intimamente envolvida com ele.

Reijer Hooylkaas afirma, que o puritanismo teria possibilitado a combinação de racionalismo e do empirismo, essencial para a ciência moderna, Ben Clausen, no seu artigo, Christianity Aiding the Development the Science, cita que os mais proeminentes membros da Royal Society of London eram puritanos. O mesmo era observado na França, onde as academias protestantes eram mais devotadas a questões científicas do que as católicas. Assim como na Alemanha, sob a influência do Pietismo (Universidade de Könisberg) e do calvinismo (Universidade de Heideberg).

Alguns crentes sentem-se ameaçados pelo poder que a ciência tem de corroer as interpretações tradicionais da Bíblia. Em geral, eles são zelosos pôr desacreditar os cientistas "ateus". A investigação científica exige que as pessoas pensem, mas alguns crentes não querem pensar. Na verdade, o conflito que surgiu foi entre o cristianismo e ciência naturalista. A ciência naturalista descarta Deus do processo de criação.

A fé cristã não é incompatível com a ciência moderna. Creio que podemos conciliar a fé com a ciência. A ciência deve ser cultivada para a glória de Deus e para o benefício da humanidade, de maneira empírica, de forma independente das autoridades humanas e usando as próprias mãos.

Kleper afirmava que o cientista era um sacerdote de Deus em relação ao "livro da natureza"; para os reformados, Deus revelava-se tanto nas Escrituras quanto no "livro da natureza".

Descobri uma oração dele:

"Eu te agradeço, Criador e Deus, pôr ter-me dado esta alegria na tua criação.
E regozijo nas obras de tuas mãos. Eis que agora completei a obra à qual fui chamado.
Nela eu empreguei todos os talentos que emprestaste ao meu espírito.
Revelei a majestade de tuas obras a todos quantos lêem meus escritos, naquilo que meu estreito entendimento possa compreender de suas infinitas riquezas."

Johannes Kepler (1571-1630).




O ano de 1808 foi de grande importância para a história nacional. Muitos estudiosos o consideram como sendo o ano do verdadeiro descobrimento do país. O destaque deve-se à vinda da família real portuguesa e as conseqüências que gerou para o Brasil. A abertura dos portos às nações amigas, autorizada por Dom João VI, logo em sua primeira parada, na Bahia, contribuiu para o desenvolvimento da colônia.

O que parecia ser um acordo comercial para beneficiar a Inglaterra, que havia livrado a família real das garras de Napoleão Bonaparte, acabou se mostrando um ato que transformaria a vida colonial. A influência externa mudou a história, inclusive da igreja protestante que à época inexistia por aqui. Foi justamente por causa da abertura da colônia que as primeiras traduções do Novo Testamento em português chegaram às terras brasileiras.

O texto, feito exclusivamente para o Brasil em 1808, é resultado do trabalho da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, entidade que ajudou a difundir as Escrituras em todo o mundo. Os 200 anos desse acontecimento marcante para a igreja brasileira é um dos motivos que levaram a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) a escolher 2008 como o Ano da Bíblia. Para comemorar, a entidade programou, até dezembro, uma série de eventos que tem o objetivo de ressaltar a importância da Bíblia para todos.

Os exemplares do Novo Testamento que entraram no país logo após a abertura dos portos foram produzidos a partir da versão de João Ferreira de Almeida, primeiro tradutor da Bíblia para o português. Apesar da relevância histórica, não existem informações precisas sobre quando os primeiros volumes teriam desembarcado por aqui. Porém, acredita-se que partes dessas “novas bíblias” só começaram a chegar ao país a partir de 1809, junto com os pertences dos estrangeiros e por intermédio dos colportores (espécie de missionários que tinham como trabalho divulgar e explicar as Escrituras).



As Bíblias em português e a presença evangélica estrangeira contribuíram para que em 1810 fossem assinados, entre Portugal e Inglaterra, os tratados de Comércio e Navegação e o de Aliança e Amizade. Embora péssimos do ponto de vista comercial, os tratados foram essenciais para garantir o futuro da igreja evangélica no país. Na verdade, a permissão dada pela Coroa Portuguesa para que os forasteiros praticassem suas religiões não foi uma iniciativa própria, mas uma imposição da Inglaterra.

Para evitar que os ingleses, na maioria protestantes, que viessem comercializar produtos ou morar na colônia da América do Sul fossem vítimas de perseguições, o décimo segundo artigo do Tratado de Comércio e Navegação assegurava a liberdade religiosa para os estrangeiros, enquanto que o artigo 5º do Tratado de Aliança e Amizade impedia a instalação da Inquisição. Além disso, o governo português permitiu os cultos protestantes e a construção de templos sem “aparência exterior de igrejas”.

A vinda do movimento missionário protestante no século 19 coincidiu com as lutas pela independência na América Espanhola e com a abertura do continente ao capitalismo, que dava seus primeiros passos. O protestantismo não somente trouxe uma mensagem evangélica dirigida às profundas necessidades espirituais do continente, mas chegou juntamente com transformações sociais e políticas, o que representou uma opção de mudança. “Sem a Bíblia, não existiria a igreja evangélica no Brasil. Grande parte das conversões se deu pela leitura da Bíblia, que era considerada um tesouro pelos primeiros crentes”, afirma o historiador e professor assistente do departamento de Teologia da Faculdade Evangélica de Brasília, Isaías Lobão Pereira Júnior.

Embora fosse ter um grande significado para futuras gerações de brasileiros, nos primeiros anos no país a Bíblia pouco efeito fez à vida da população. Alguns fatores colaboraram para que isso acontecesse. A resistência do clero, que não via com bons olhos o acesso das pessoas ao Livro Sagrado, foi um deles.

Porém, o maior obstáculo foi mesmo o analfabetismo. Não é de hoje que esta é uma das grandes vergonhas nacionais. No século 19 era ainda pior. Quando os primeiros Novos Testamentos chegaram, a maioria da população não sabia ler e escrever. Por causa dessa deficiência, durante muito tempo o grande público só tomou conhecimento das histórias bíblicas apenas pela audição de textos lidos em missas, escolas e encontros domiciliares.

Essa realidade só começou a mudar quando o número de alfabetizados aumentou. Mesmo em pleno século 21, este recurso de divulgação da Palavra de Deus ainda continua sendo usado em larga escala pelo Brasil. O sociólogo da religião Leonildo Silveira Campos garante que a Bíblia passou a ocupar um lugar de destaque no cotidiano nacional apenas na segunda metade do século 20. “Não se pode afirmar que a introdução da Bíblia foi um divisor de águas, tal como a chegada da família real. O impacto da Bíblia aconteceu na medida em que pessoas foram se tornando protestantes. Elas carregavam, liam diariamente, e os cultos protestantes eram centrados na leitura e no comentário do texto lido”, explica.

MUDANÇAS E CRESCIMENTO
É necessário lembrar que nesses 200 anos muita coisa mudou. O Brasil deixou de ser uma colônia de exploração de Portugal para tornar-se um país independente e dono de uma das crescentes economias do planeta. No mesmo período, transformou-se numa das nações onde o cristianismo mais se desenvolveu. E nas últimas décadas assiste a um crescimento de sua população evangélica pouco vista no mundo. Nesse processo, a presença das Escrituras teve papel de destaque. “A cultura brasileira tem muitos elementos que foram extraídos da Bíblia. Vemos elementos bíblicos presentes na literatura, na arquitetura, na pintura, na música, na religiosidade e nas festas populares. É evidente que não é o único elemento formador da cultura brasileira, mas é, sem dúvida, um dos mais importantes”, garante Erní Walter Seibert, secretário de comunicação e ação social da SBB.

Seibert lembra que não seria possível entender boa parte da história da música brasileira sem levar em conta “o pano de fundo bíblico”. Embora não possa parecer, ele afirma que festas populares, como São João e Reis, têm na raiz narrativas bíblicas. “Podemos dizer com segurança que o Brasil é um dos países com maior porcentagem de cristãos no mundo graças à influência da Bíblia”, ressalta.

Diferente do que aconteceu em muitas nações, quando representou o elo principal para a preservação da língua e da própria identidade nacional, no Brasil, por causa da diversidade de influências recebidas durante 507 anos de história, as Escrituras não foram o único ícone na formação da cultura brasileira. Para Antônio Carlos de Melo Magalhães, diretor da Faculdade de Filosofia e Ciência da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, as maiores contribuições da Bíblia à cultura nacional foram: construção de acervo para as diferentes narrativas da literatura brasileira; narrativas e enredos bíblicos começaram a servir de tema para muitas expressões da arte; as religiosidades passaram a usá-la como devoção particular; narrativas e personagens fazem parte do imaginário nacional. “Podemos dizer que a Bíblia pertence não somente às igrejas cristãs, mas à cultura e à sociedade em nosso país. Creio que dificilmente encontraremos um brasileiro que não conheça alguma história bíblica e que não tenha sido interpelado por alguma de suas narrativas”, reforça.

A popularidade e o contato com pessoas dos mais diferentes níveis socioeconômicos permitiram que cada indivíduo criasse uma relação própria com a Palavra de Deus. “As pessoas usam-na em diferentes espaços, tanto naqueles considerados sagrados quanto nos chamados profanos. É interessante notar que suas histórias já estão entrelaçadas com muitas do cotidiano das pessoas e seus personagens são interlocutores permanentes das biografias. Indivíduos de diferentes classes e lugares sociais visitam as narrativas do texto sagrado. A Bíblia, assim como foi disseminada, talvez seja o principal livro na formação religiosa do Brasil”, enfatiza Melo.

Nem sempre a relação entre os brasileiros e as Escrituras se deu de forma pacífica. O professor do departamento de Teologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) Rafael Rodrigues da Silva explica que nos primeiros anos o Brasil não se tornou cristão pela leitura da Bíblia, mas sim “pela imposição colonizadora”. Segundo ele, nesse momento da história, “a cruz e a espada determinam a cristianização”. Ou seja, “a prática religiosa ocorria pela doutrinação e não pela utilização do texto sagrado”.

Esta forma de “evangelização” só terminou com a chegada dos missionários protestantes no século 19, que utilizavam a Bíblia como instrumento de conversão e base da fé cristã. “A dinâmica da leitura da Bíblia vai ser impulsionada pelos grupos e etnias que vivem na margem e, mais tarde, pela migração de missionários vindos da Reforma”, ressalta. “Devemos comemorar a leitura política da Bíblia realizada pelos grupos de resistência, indo além de uma mera visão triunfalista. Hoje, devemos buscar nas raízes da resistência uma leitura inserida na realidade, que provoque um olhar crítico e leve cristãos a lutarem por vida digna e humana, a partir da justiça, da solidariedade e da espiritualidade”, prega.

VALORES ASSIMILADOS
Embora a influência da tradução da Bíblia em português ainda não tenha sido profundamente estudada, Seibert lembra que a versão feita por João Ferreira de Almeida é a obra mais publicada e lida na história da língua portuguesa. Para se ter uma idéia dessa grandiosidade, só em 2003 foram distribuídas no mundo 430,9 milhões de Bíblias. Três anos depois, apenas no Brasil, a SBB distribuiu 8,2 milhões de exemplares. “Como a leitura é elemento fundamental para a preservação da língua e, em boa parte, determinante para o uso que as pessoas fazem do idioma, sem dúvida alguma, a Bíblia teve papel importante”, afirma.

No dia-a-dia é possível identificar vários conceitos bíblicos assimilados pela cultura cujas raízes a maioria das pessoas desconhece, entretanto. Um exemplo é a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que, em 2008, completa 60 anos. Nos seus 30 artigos, é possível identificar conceitos que tiveram fundamentação nas Escrituras. Respeito às crianças, igualdade de direitos entre homens e mulheres e dignidade do trabalho, por exemplo, tornaram-se valores universais, mas que há séculos estão presentes na Bíblia.

Apesar de ser um dos países onde o número de evangélicos e leitores do Livro Sagrado aumenta gradativamente, muita coisa ainda precisa ser feita para que a identidade nacional seja moldada pelos padrões bíblicos. Por outro lado, sua influência na cultura brasileira foi tão significativa que é possível ver sua presença em várias áreas, o que torna difícil imaginar o que seria o Brasil sem este importante elemento.

Ao mesmo tempo, torna-se fácil imaginar o que poderia ser o país se esta influência fosse maior. “Se de fato lêssemos a Bíblia com atenção e buscássemos os princípios do projeto de Deus e do Evangelho, teríamos um Brasil com baixo índice de injustiça e desigualdade social”, argumenta Silva.

Ao longo dos anos, outras iniciativas tiveram até maior importância para a popularização da Bíblia em terras brasileiras, mas o primeiro contato, em português, há 200 anos, é uma data que merece ser sempre lembrada. Mesmo que inicialmente não tenha surtido efeitos duradouros, pois os cultos eram realizados nos lares e geralmente em inglês. Mas a semente do Evangelho foi plantada e menos de um século depois, as raízes se espalharam por toda a nação para não mais sair.
Fonte:GOSPEL

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